Posts em agosto, 2006

Seção versos subcutâneos: palavra-beijo

……..Crédito da foto: Robert DoisneauPalavra-beijo

Palavra-beijo, ato:
…É beijo.
……É sombra, é bomba!
…………É pomba
…………fluente, tal
…………qual corrente
…………de fonte mineral:
…………cristal quente.
Beijo evanescente:
…………clímax.
…Mil megatons de saliva
…Quatrocentos cavalos
…………arredios.
……Fumaça de línguas tesas
…………presas
…………coesas.
Retrato, signo:
……contato
………braços, abraços
…embate de sonhos lassos.
…………Poema, cinema
…………amena mistura
…………doença sublime
…………subsume sinais.
Impulso-nome, desejo:
……………………fome.
…………Descontrole em rotação –
…………Morde, é bicho
…………Lambe, é louco
…………Ofega, é vivo
…………É vero, é falso, é tudo
……………………é beijo.

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Seção versos subcutâneos: Quem?

Pergunto dos que podem erguer os braços e decidir. Pergunto dos que regem os destinos e ignoram os ensejos. Pergunto dos que discernem o relevante do urgente, com poder para prescindir de ambos em função do conveniente. Pergunto dos que decretam ser essência o contingente se com isso encaixam as exigências de quem pode [...]

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Seção obituário: Agosto também tem coisas boas

Atenção: este texto não é recomendado para usuários com problemas cardíacos ou hipertensão.
Estive sem computador durante toda a semana, o que é sempre muito chato, mas desta vez me causou ainda mais danos: impediu-me de saber imediatamente do falecimento de um indivíduo cujo nome não vou dizer com todas as letras porque não quero [...]

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Seção versos subcutâneos: Parvo e Pulcro

Parvo e pulcro– Ponho meios nas cacholas….e animo o Universo.
………….– Sim, mas não cabe arrastar…………….os pescoços às latrinas.
– Um raio que não pragueja….jamais pode me atingir.
………….– Mas um veneno no ar…………….fará o seu corpo sumir.
– Eu espalho embriaguez….e recolho a sua prole
………….– Só que os rebentos do absinto……………Regurgitam os frangalhos.
– Pela noite há escritórios?
…………– [...]

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Atravessando

Atravessando
Como se não existissem o tempo ou a vida e a verdade tivesse sido inteiramente construída pelos grandes engenheiros do último século, como se o mero sustentar-se sobre dois pés fosse um desafio a deuses sem nome, um corpo, sozinho, oscila com firme determinação por sobre o canteiro central das gigantescas salas de estar.
É um [...]

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Seção obituário: Moacir Santos (Hora do mea culpa)

Este blog passou, isto é, eu passei batido por uma notícia que deveria entristecer todos os brasileiros, mas duvido que tenha tocado mais do que a meia-dúzia de sempre. Só pra piorar um pouco, minha omissão se torna ainda mais gritante pelo fato de que nesse meio-tempo ainda ousei escrever um texto laudatório sobre os [...]

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Seção versos subcutâneos: Litania para o capital

.…Litania para o Capital.Ó Vós que permitis, benevolente,A acumulação de patrimônio!.…………Concedei-me viver de renda. Ó Vós que sois pai de todas as Bolsas,ídolo cruel dos investimentos!.…………Concedei-me viver de renda. Ó Vós que distribuís fortunae fome segundo vosso desejo!.…………Concedei-me viver de renda. Ó Vós que podeis prever o porvirdaqueles que abdicam de consumir!.…………Concedei-me viver de renda. [...]

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Desperdício de genialidade

Meu último post opinativo teve um tom amargo demais. Não gosto disso; confesso que estava num dia particularmente estressante, e isso acabou transbordando para o texto. Prefiro manter um tom ponderado, não vejo grande resultado em manifestações de raiva. Continuo achando prejudicial a preguiça do brasileiro para a vida política, manifesta da alienação e na [...]

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Seção dedo de prosa: Seis dias

* * * Mais uma vez, não consegui colocar imagem! Ô programinha de quinta! * * *
Seis diasEra quarta-feira e uma dúzia de mãos suadas vinha em fila dar apertos flácidos. Era quarta-feira. Rosto afogueado, tentativa de não dar mostras exteriores de nervosismo. Quarta-feira, antes do almoço, dia dezenove, marcado há meses. Mais do que [...]

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